terça-feira, junho 10, 2008
quinta-feira, maio 15, 2008
Liebestod *
Não te espantes. Em dias assim, ela costuma encostar o pensamento nos joelhos. Só para sentir a razão vacilar. Se corpo insistir tremer em um verso, ela estende as mãos sobre a Liturgia das horas. Até que um suspiro faça o passar do tempo alojado nas páginas dos dias ser solúvel em raios de sol. Dessa maneira que ela tem de abrir as persianas de um quarto fechado, adiado no desejo de estar, e assistir a poeira dançar em frestas de sol. Quando a lembrança lhe invade os olhos feito cisco, ergue os dedos calejados de bordar desculpas. E faz malabares com raios e trovões, só para ter nas mãos luz e som que esbravejam. Colhe das tempestades. Deixa o medo sombrear o gesto, e ele ganha intensidade. Tem esse grito emperdenido lhe arranhando a voz. Sua prece é vermelha. Quando fica louca, esculpe palavras. Fecha as mãos como quem luta, simula um coração batendo. Lembra que nos átrios habita um vazio, essa possibilidade de fazer tudo circular. Campos de gramas azuis, um lírio vermelho. Senta na estrela d'alva. O céu ela encosta na terra enquanto desenha a palavra sacra de Tagore, e a terra cede suave ao redor de si: abre-se ao passar dos dedos, mar Vermelho na presença de Moisés. E o pensamento desliza na paz de quem se inscreve com brasas no livro da vida. Na nudez dos pés enxerga os descaminhos. Quando não lhe resta razões, caminha. Nunca conseguiu dar norma aos passos. Os sentimentos flamejam nos olhos, um acobrear do castanho. Se olhares bem, vais te surpreender no não-tempo, e verás que algumas mulheres ainda ardem nas fogueiras. Dançam em florestas fechadas. Trazem a primavera na boca. E o outono estampado nas unhas. A alma entrelaçada no universo. No falar, música das esferas. Não te espantes. Sentada ela tece um casulo. E pinta o corpo para a guerra. Há sempre um labor na espera. Deixa o cume da montanha encontrar o rio, só para mudar o curso das águas. Descobriu uma escuridão nos olhos da coruja. Rasga a barra das saias, desfia o enredo. Ela quer a palavra- fruta-madura. Sua escrita é esse descascar com unhas e dentes essa linguagem amarelo-manga, até que a polpa lhe escorra pelos cantos da boca. Sumo e Suco. E a semente lhe reste nas mãos. Essa paz, ela entrega quando escreve. Não te espantes. Fecunda-ação. Só se pontua no gozo o suspiro da palavra-sêmem.
Se não falas, vou encher o meu coração
A manhã certamente virá,
Então as tuas palavras voarão
Rabindranath Tagore
quinta-feira, maio 08, 2008
A Literatura e a Vida, por Gilles Deleuze.
Decerto que escrever não é impor uma forma (de expressão) a uma matéria, a do vivido. A literatura tem que ver, em contrapartida, com o informe, com o inacabado, como disse Gombrowicz e como o fez. Escrever é uma questão de devir, sempre inacabado, sempre a fazer-se, que extravaza toda a matéria vivível ou vivida. É um processo, quer dizer, uma passagem de Vida que atravessa o vivível e o vivido. A escrita é inseparável do devir: ao escrevermos, devimos-mulher, devimos-animal ou vegetal, devimos-molécula até devir-imperceptível. Estes devires encadeiam-se uns com os outros segundo uma linha particular, como num romance de Le Clézio, ou então coexistem em todos os níveis, por intermédio de portas, entradas e zonas que compõem o universo inteiro, como na poderosa obra de Lovecraft. O devir não vai noutro sentido: não devimos Homem, mesmo que o homem se apresente como uma forma de expressão dominante que pretenda impor-se a toda a matéria; ao passo que mulher, animal ou molécula têm uma componente de fuga que se descarta à sua própria formalização. A vergonha de se ser um homem: haverá melhor razão de escrever? Mesmo quando é uma mulher que devém, ela tem de devir-mulher, e este devir nada tem que ver com um estado de qual poderia vir a reclamar-se. Devir não é atingir uma forma (identificação, imitação, Mimésis), mas é encontrar a zona de vizinhança, de indiscernibilidade ou de indiferenciação, de maneira que já não nos podemos distinguir de uma mulher, de um animal ou de uma molécula: e que não são nem imprecisos nem gerais, mas imprevistos, não-preexistentes, tanto menos determinados numa forma quanto mais singularizados numa população. Pode-se instaurar uma zona de vizinhança com qualquer coisa, com a condição de que se criem os meios literários para isso, como com o áster, segundo André Dhôtel. Entre os sexos, os gêneros ou os reinos, qualquer coisa passa 2.quarta-feira, abril 23, 2008
Éter
Agora os pensamentos já se solidificavam e ela respirava como um doente que tivesse passado pelo grande perigo. Alguma coisa ainda balbuciava dentro dela, porém seu cansaço era grande, tranqüilizava seu rosto em máscara Usa e de olhos vazios. Das profundezas a entrega final. O fim...
Mas das profundezas como resposta, sim como resposta, avivada pelo ar que ainda penetrava no seu corpo, ergueu-se a chama queimando lúcida e pura... Das profundezas sombrias o impulso inclemente ardendo, a vida de novo se levantando informe, audaz, miserável. Um soluço seco como se a tivessem sacudido, alegria rutilando em seu peito intensa, insuportável, oh o turbilhão. Sobretudo aclarava-se aquele movimento constante no fundo do seu ser — agora crescia e vibrava. Aquele movimento de alguma coisa viva procurando libertar-se da água e respirar. Também como voar, sim como voar... andar na praia e receber o vento no rosto, os cabelos esvoaçantes, a glória sobre a montanha... Erguendo-se, erguendo-se, o corpo abrindo-se para o ar, entregando-se à palpitação cega do próprio sangue, notas cristalinas, tintilantes, faiscando na sua alma... Não havia desencanto ainda diante de seus próprios mistérios, ó Deus, Deus, Deus, vinde a mim não para me salvar, a salvação estaria em mim, mas para abafar-me com tua mão pesada, com o castigo, com a morte, porque sou impotente e medrosa em dar o pequeno golpe que transformará todo o meu corpo nesse centro que deseja respirar e que se ergue, que se ergue... o mesmo impulso da maré e da gênese, da gênese! o pequeno toque que no louco deixa viver apenas o pensamento louco, a chaga luminosa crescendo, flutuando, dominando. Oh, como se harmonizava com o que pensava e como o que pensava era grandiosamente, esmagadoramente fatal. Só te quero, Deus, para que me recolhas como a um cão quando tudo for de novo apenas sólido e completo, quando o movimento de emergir a cabeça das águas for apenas uma lembrança e quando dentro de mim só houver conhecimentos, que se usaram e se usam e por meio deles de novo se recebem e se dão coisas, oh Deus.O que nela se elevava não era a coragem, ela era substância apenas, menos do que humana, como poderia ser herói e desejar vencer as coisas? Não era mulher, ela existia e o que havia dentro dela eram movimentos erguendo-a sempre em transição. Talvez tivesse alguma vez modificado com sua força selvagem o ar ao seu redor e ninguém nunca o perceberia, talvez tivesse inventado com sua respiração uma nova matéria e não o sabia, apenas sentia o que jamais sua pequena cabeça de mulher poderia compreender. Tropas de quentes pensamentos brotavam e alastravam-se pelo seu corpo assustado e o que neles valia é que encobriam um impulso vital, o que neles valia é que no instante mesmo de seu nascimento havia a substância cega e verdadeira criando-se, erguendo-se, salientando como uma bolha de ar a superfície da água, quase rompendo-a... Ela notou que ainda não adormecera, pensou que ainda haveria de estalar em fogo aberto. Que terminaria uma vez a longa gestação da infância e de sua dolorosa imaturidade rebentaria seu próprio ser, enfim, enfim livre! Não, não, nenhum Deus, quero estar só. E um dia virá, sim, um dia virá em mim a capacidade tão vermelha e afirmativa quanto clara e suave, um dia o que eu fizer será cegamente seguramente inconscientemente, pisando em mim, na minha verdade, tão integralmente lançada no que fizer que serei incapaz de falar, sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! o que eu disser soará fatal e inteiro! não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante: sempre fundido, porque então viverei, só então viverei maior do que na infância, serei brutal e malfeita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende, me ultrapassarei em ondas, ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de mim mesma em certos momentos brancos porque basta me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte-sem-medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo'.
domingo, março 30, 2008
Compulsão.
Bauby, + 9 de março de 1997.
'O olho vê,
a lembrança revê
e a imaginação transvê'.
Manoel de Barros
sábado, março 29, 2008
Aranyani *

Cecília Braga
But what I'm thinking of just this time Why don't you...
Lay your head down, Keren Ann
(in my arms).
domingo, março 02, 2008
How often do you find the right person?
Once.
Vamo assistir, pessoas. Para perder menos tempo com joguinhos. Para vencer o medo. Para dizer o que tiver que ser dito, mas não em outro idioma. Por favor. Chega de tanto tentar salvar nossa pele. Já sabemos, ela alcançará seu fim. Salvemos nossa alma da ruína, desse excesso de gestos comedidos, do medo, da solidão.
Porque fugir é instintivo, e é biologicamente tão mais fácil e provável. Ficar é escolha.
Que haja amor e menos covardia nas nossas escolhas... Senhor, escutai as nossas preces. Amém.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Cadère
Tinha medo de despelar depois do beijo. E de tudo mais que pode acontecer quando se tem o Alasca no estômago de um corpo em chamas. Por isso, prendia a respiração para sonhar. Subterfúgio. Sim, já que é tão difícil acordar com o coração na altura dos ouvidos. E saber que o corpo canta uma fé ancestral, batucandobatucandobatucando em peito aberto. O pensamento dançando em círculos ao-redor-de-um-nome. Flamejante. De tanto crê, um êxtase fechou-lhe os olhos. Ela acredita que o silêncio pode pigmentar os versos. E que uma saudade alonga as pernas das horas. Em vão. O tempo tem suas birras. Então, barganha: dedilha a noite inteira num livro, debruça em seus olhos sua alma que gorjeia para a escuridão passar e treme. Porque sua linguagem guarda cadência de nuvens: quando suspira, ele lhe pode ler. E quando pensa, já está entregue. Nos versos. Aí, engole a seco uma estrela. Só pra ter uma reminiscência luminosa. Ele já pesponta a bainha de todos os seus pensamentos, idos e vindos. Por temor, reza. Por amor, deseja. : Que o sol penetre os recantos da tarde até essa ausência pintar um poente, e em ventre tão celeste o orgasmo do sol respingue as primeiras estrelas. Pra ele chegar. E abrir os braços, inclinar ao céu seus pensamentos, elevar o corpo pelas pontas dos pés, deitar as pálpebras, suspirar, escrever com o corpo extasiado os melhores versos. Enquanto ela retoma o fôlego. Porque certas leituras lhe tiram o ar, e logo depois o sono. Cecília Braga
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
Cielo
Nem ousava ser Natal. Talvez por isso, e por que uma moça vestia uma paz tão em guerra, eu tenha ancorado meus pensamentos entre o polegar e o indicador da sua mão esquerda.Agora, além dos três lírios, ela tinha nas mãos a minha atenção. Tudo amarelando ali.Pesar de preces antigas nas gavetas do tempo. Recitadas com fé ácida e algumas ânsias. quarta-feira, dezembro 19, 2007
segunda-feira, novembro 26, 2007
Braile
Aprendi a me refazer em teus braços. Em dias assim, ainda me sinto retardar os passos só pra conter o choro. Até te alcançar. Eu só sabia me deixar doer em teus braços. Ía inspirando rápido e profundamente como quem teme o escapar da vida num soluço. Depois, nem temia mais. Soluçava doído. De quando em quando, parece tão impossível continuar a viver. Aí, um desejo de árvore rompe o asfalto.
quinta-feira, novembro 22, 2007
sexta-feira, novembro 16, 2007
In un Baleno (Num piscar de olhos).

Todo meu descanso é no azul, e só. As minhas pernas se estiram nos horizontes.
Prossigo, mesmo sendo corda-bamba.
Dos deslumbres: as idéias ficam suspensas... Em teima de vôo. Em deleite de mergulho.
Nem um suspiro me aquieta mesmo quando, de tão alto, inalo nuvens.
Tenho esse vento frio na altura do estômago,
coração apertando, o corpo trêmulo... Chuva guardada. Deve ser.
Tem coisas que se pensando, logo concretizam...
tanto pensamento de medo, trovejando.O corpo fazendo calafrios.
Chorei logo um mar inteiro. Pra mudar essa paisagem de deserto.
O jeito foi pegar cajado e intimidades de Moisés com Deus, e caminhar mar adentro.
Pra espalmar minhas mãos de angústia no azul. Como quem se ampara, e evita quedas.
(Dos segredos: Deus gosta de engabelar o espaço: Amarra a linha do tempo nos dedos, faz ioiô do sol:
diiiiaaaaaa-noiiiiiteeeee, diiiiiaaaaa-noiiiiiteeeee...).
Aí era tarde, tinha caído já...essa coisa de espaço, só não sabia. Ainda não.Só com o tempo...
Sabendo de mim, ele sorriu. Encostou também sua destra no azul, que de angústia ele bem entende.
Dos fatos: Tínhamos tantas cores de sentimentos nas mãos, misturadas,
Deus é menino. E tem todas as idades...Das lições.
Fechei os olhos em prece, só pra ascender por dentro essa noite.
Um mantra desenha o movimento dos ventos. E o cabelos cantam.
Sento entrenuances, ritualisticamente sansei. (como quando algo me revela).
O peito entregue, cede. E sinto o coração estremecer entre joelhos.
Das manias: só sei me dissolver no instante, extática.
Das posses: sou dona de todo um desajustamento, muitas instabilidades e de um querer-com-todo-ser.
Das aprendizagens, ou das possibilidades de.
Das dificuldades: pelejar com minhas carências, e suas manias de grandezas.
Das constatações: essência tem dimensões, em número de 10 (é universo quântico), e intensidades.
De quase todas minhas impossiblidades: acorrentar um gesto, dissimular um querer, sufocar uma palavra,
Do que por si só, não adianta: O atrito de corpos.
Das entregas: só conheço a que se inflama na fé. Daniel nas labaredas de fogo.
Das seduções: as naturalidades.
Das esperas: a sua, porquê ando cansada...
*
*
*
Cecília Braga
segunda-feira, outubro 22, 2007
sexta-feira, outubro 19, 2007
Aguapé-Assú

Ela minhocava a planta dos pés na areia como quem areja as sustentações das idéias...Um esbocejar de raízes. Tirar um deste-tanto de si, multimorfosear-se pelas ausências. Acrescenando-se de si, nos idos e findos, e em todos os vindos. Bem em prol de finiciar. a si? Vida que dorme no morrer da semente, aguarda o último suspiro, sopro de vida, pra respirar.
Desandou, coitada, com tantas inrespostabilidades. Pois, aquele des-sentir lá no longe, ela teimaniava de apelichamar de Saudade. Maiúsculas letricidades iniciáticas, batismo de cartório, só pra lavrar a propriedade do nome. Danou, então, a deitar distâncias na voz. Botou astúcia de arco nas cordas vocais. Mirou no querer-sem-fim. Diafragma é coxia. Ar montado nos horizontes. Largou. Voz pareia com o vento. E dispara. Pra nunca mais se alcançar.
Deu, nos depois, pra contar as demoras bem miudinho.: - antes do segundo vem o quê?
Queria desatingir-se no anti-tempo. Descontava-se nas somas. Perdia-se. Das agonias do que não chega.
O bafo-de-guardados lhe anunciava...Pois, tantos anteriormentes mofando na boca.
E não era que ele nunca tendo vindo, e nem ido... não sabia ela, agora, como ele facultava ficar-ir-vir, tudo ao mesmo tempo, sem se filiar ao tempo, mas dele sendo capaz de se engravidar até insandescer ou encaramujar-se?
:-Deixe estar, nos de dentro é jejum prolongado...Daqueles de quando o corpo já não tendo do que se nutrir, auto-fagia.
Autofágicossassinado, coitado. Morreu Nãodito. Nem a-deus pronunciou. Mas, desgra..dou-se parcialmente. Explico. Confusequiparado foi. Por muito parecer com os músculos cardíacos. Aí, digestão de si acaba é nunca....dá logo nos nervos.
Ficou só um resto imortal de um sem-sentido.Desmembro fantasma.
Doi, por vezes. Um quase nada, agudo.
: -Vixe, vixe. Volta pessoa, volta.
Porque é tudo tão nos interiores invisíveis de dentro dos de dentro... só em atos se professa...o quê? uma credulidade cienfatídica? Uma incredulidade visível de si? Uma credulidade nos invisíveis que ela vê?. : -Cada um, cada coisa. Vai saber.
Coração começou foi a se desaninhar no peito, só pra reclamar da insegurança dessesditamor. Ela desacomodava-se com incomodaquicionices, criadas ou não.
Ela sentia mesmo era saudade desse tempo que desconhecia...de quando as pessoas desusavam band-aid como motivos para inesquecer. Curativelopes, lembresquecedores. Tudo instruído lá no machucado, acobertadamente. O que deve, e até onde. E o que não.
Corpo-tablóide. Burocrontros...Fábricas de jornais. Um passando pelo outro, atrito. Não fosse a desumanidade umedecendo o ar, fogo.
Vazio pós-Reveillon, no desamanhecer do novo.
Leitura de curativos e jornais,
*
*
*
Cecília Braga
quinta-feira, setembro 20, 2007
Amar-elo
Ela suspirou.Queria que a palavra presa no peito deslizasse no papel,
feito sua mão na dele...
Porque seu corpo não conseguia tocar sozinho no êxtase.
E por mais que as vontades todas , premeditadamente, se ericem nas mãos, ela sabia.
Todo extremo abriga a possibilidade de escape e de entrega.
Foi com assombro e júbilo que sua mão encontrou a dele,
E fechou os olhos enquanto entrelaçavam-se os dedos, tecendo uma prece.
Depois abriu. Como quem resiste.
Mas ele foi lhe despindo as palavras até que ela atingisse sua in-civilização.
Agora ela só encontra abrigo no que lhe desestrutura.
Deixa então as mãos dele passear no seu corpo,
Remetendo-lhe ao principio de todas as coisas,
Era como se o universo se originasse ali, naquele encontro.
Assim se fez, pois.
Ela lhe arranhava coloridos neóns,
De tanta poeira intergaláctica abrigada nas suas unhas.
Só para depois enluvar as mãos de nuvens, percorrer as marcas,
E ter um céu todo seu, co-lo-ri-do.
Quando ela disse: - Deix'eu te aprender?
Já era dona de infinitas certezas, ele universo inteiro em expansão.
Mas ela só queria mesmo era ser única moça a habitar naquela estrela feita de grafite azul no lado esquerdo do peito dele.
Disse tudo assim, desexplicado e dumavez. Pois o que ela gostava era de ver a confusão acentuando a intensidade do olhar dele, nela. A tal ponto que sem dizer, consiga lhe interrogar:
- Estrela ?
Sim, sim. Ela tinha essa ansiedade infantil e tudo que queria era contar logo. E contou:
- A estrela que tá guardada aqui ó, nessa aquarela... que vou te desenhar aí, no peito.
É que pensei que podíamos começar pintando nossas paredes...
Só para colorinhecer tudo que nos sustenta e protege.
Tu deixa?
~
Cecília Braga
domingo, setembro 02, 2007
Fototropismo
Do desencontro aos seus anteriormentes era tanto remendo de palavras, que descarece de se ter olhar de moça prendada para diagnosticar que sendo tudo feito e posto de demasiados restos e sobras, jamais haveria de se configurar ali um cobertor. sábado, agosto 04, 2007
~ Azo ~
Pediu a mão da moça.Na sua alma de criança tudo era também recreação.
*
* *
terça-feira, julho 31, 2007
Plim, Plim.
Regrinhas todas lá, no Nada Pra Mim
Escolho estes aqui ó:
Garatuja (Casa dela que é Girassol pra mim).
Câmera Crônica (Do moço das palavras mais bonitas).
Corra, Gu, Corra (Um chucrute de moço que sou fã - Nem sei se pode ser fotolog. Tento).
Serendipities (Que alma dela dança linda lá, precisa de vê).
Doida de Marluquices (Casa de Airumã).
Gentes que leio faz tempo.
E é difícil isso viu, deixar pessoas de fora.
Todos que partilham comigo do meu espaço são constelações.
beijos na alma.

