sábado, abril 14, 2007

Un(i) - Verso


Minha escrita hoje, devanegari... escrita dos deuses.
Repousa minha mão sobre o peito aberto, auscultando meus suspiros.
Minha caneta de pé, firme, ligeiramente inclinada para frente...reza.
Escolha ritualística das palavras, evocando a sacralidade dos símbolos.
Credo só se professa na ação. Estou me espiritualizando.
Meu escrever é tântrico, instrumento de expansão e desejo latente de te alcançar.
Possibilidade una de te interpenetrar de diversas maneiras.
Teu ser quero Yantra, mapa de experiência transcendente. universo no universo.
Big Bang.
Nosso encontro... sigízio, conjunção do sol com a lua, aqui dentro, maré-viva.
Teu nome repito feito mantra.
Fecho os olhos. Deixo vibrar em mim.
Dhyanas... visualizações.
Linha de divisa, agora é fio dourado.
Estou en-novelando distâncias.
Esse dia, tear.
Toda impossibilidade...urdidura, esses fios paralelos e rígidos por onde meu ser flui, maleável feito trama. Estou tecendo encontro.
Escrita bíblica, tudo que importa se encontra velado. E profética.
Meu escrever é desejo de en-trelaçar as nossas mãos e nossas almas.
*
*
*
Cecília Braga

5 comentários:

Duda disse...

Como sempre, a escolha exta das palavras...
Como sempre, a [re]leitura atenta pra ver se não deixou escapar nenhum hífen ou presságio que seja.

Como sempre, os pêlos arrepiados e o os grunhidos estranhos dentro do peito.

Camilinha disse...

... a cada dia...

e cada vez mais...

incrível!!!

Beijos mil

alex pinheiro disse...

Escritos esotéricos por aqui neh?! rs... en-trelaçar mãos e almas é experiência exacerbadamente agradável! as coisas intensas! aiai buff!!!
bjo e novas invenções!

Rafael disse...

Uni-verso;
Duni-verso só pôde nascer esses belos versos...
Messe pr'álma.

Juliana disse...

Entrelaça a alma, que não há entrega maior.
Você é verdadeiramente linda.
Beijos enormes de grandes.