quinta-feira, maio 03, 2007

Adámas


Dos dias que a palavra ríspida marcha dentro do peito.
Das coisas que não se digere. Do revirar no estômago.
Do alvoroço dos pensamentos todos.
'Minha pátria é minha Língua'.
Sim, sim. Caetanear a prosa.
Pensamento numa lonjura aperreada.
Território, liberdade, propriedade e coisas que entendem as membranas. Cerca viva.
Corpo cansado dessa atmosfera bélica, de vaidades tolas, de desenhos de giz. Efemericidades que a menor chuva leva vestígios, todos.
E mesmo ao maior sol...
Vai ardendo os dias no passar ligeiro do tempo, pra quem quer demora. Ou no demorar do passo, pra quem tem pressa. Queima tudo. Fica a dúvida. Medonha.Se existiu mesmo. E só. Feito lembrança de pesadelo amargando a boca, depois que acorda.
Encontros forjados. Gentes que planejam, invadem e se apropriam. Sedução Vampiresca. Apois. Daquelas que se diz bem sexy, entre sorrisos, os mais cínicos, quase a cravar os dentes no pescoço arrepiado do tanto querer, e do medo se depois de. Haverá.
: - Lembra do primeiro instante? Diante de sua porta. Teu ser inteiro vibrando na certeza do sim... a casa é sua. Pode entrar.
Ah, meu avô! Como é que o olhar deixa de ser de onça em situação dessa magnitude?! Deixa não. Individualidade é espaço sacro. E tem gentes profanando. Que essa coisa de ser Imagem e Semelhança, é de Criador. de criatura não.
Criatura cabe ser bandeirante no território do próprio ser. Tarefa de vida inteira que se deixa inacabada. Terra vasta. E Santa.
Tá no Eclesiástico: 'Boca fala do que o coração está Cheio'. Acredito sem duvidar vez nenhuma que fosse. Linguagem é simbolismo vivo. Verbo que se faz carne. Palavra de fé removendo montanha. É palavra de profeta construindo futuro. Escrita dizendo da mão de quem escreve. Gesto proferido é desenho ímpar.
Adianta não. Ouro de Tolo enche os olhos de quem tem visão prejudicada. Imagem presa na retina de bailarina linda, sensualidade na dança, vestida do véu de Maya. Olhos em labaredas de ira. Mãos estendidas em gesto de carinho. Fatal.
Abraço de Tamanduá, como diz meu avô. Expressão melhor, haveria não. Gentes assim é espécime em extinção não. Nem às vias de ser extinta. Andam por aí. As pencas.
Das querências do dia, quero é olho de garimpeiro, Senhor.
*

*

*

Cecília Braga

9 comentários:

Duda disse...

Nossa...

Uma fúria implacável. Um frenesi inconstante. Um quê de inclemência divina misturado com duas partes de inconformidade.

beijos...

(sempre cobrando o nsso re-encontro)

(tenho uma foto da turma da época do colégio... tem gente que nem lembro do nome...)

Camilinha disse...

passando...
... para deixar um grande beijo...
e a desejar voltar em brever para ler-te mais um vez... e sempre... e sempre...

Bejinhos

Marla de Queiroz disse...

É febre, fogo, sol,é brasa, açúcar derretido pra fazer a liga.
Eu fico cada vez mais admirada.

E amo tanto inda abraçada daquele jeito nosso.

Juliana disse...

Como é que consegue tocar tão precisamente?
Palavra, na sua mão, é sempre mais linda.
Simples e linda.
Beijos carinhosos.

Rafael disse...

Querida, estou vindo só comentar que recebi seu email. Estou meio sem tempo pra internet ultimamente... Ainda não abri os arquivos, mas assim que eu vê-los eu comento com você.
É só pra agradecer mesmo. Dar um retorno. :D
Ó, ótima semana viu?
;)

Clóvis disse...

De uma voracidade inebriante, de um lirismo rementendo-se à belezas não-óbvias, ali presentes, ali inteiras, encantadores, minúcias, sentidos, sutilezas, caminhos...

Quantos olhares?
Quantos focos?
Quantos quadros?
Poemas?Canções?
História?Romance ou cinema?

Eu quero tudo.
Beber-te é sublimar a vida, embelezar o que há de poesia e sentires bons...




inté.
(:

Wagner disse...

A marcha incessante de tuas palavras me faz perceber que minhas idéias apenas trotam...

abração,

amo muito passar por aqui...

Alexandre disse...

É muito bom navegar por aqui menina!
Beijos!

Marla de Queiroz disse...

Eu voltei pra dizer:

tal qual em "Grande Sertão:Veredas",fiquei besta com o sotaque e a força das palavras.
Você, cada vez melhor...em todos os aspectos.

Amo tanto, abraçando ainda.