quinta-feira, julho 05, 2007

In


Como era de costume, padecia de dúvidas ansiosas.
Dos questionamentos tantos que povoavam sua mente, carecia desfrizá-los todos.
Desencaracolar as interrogações e deixar a lisura da certeza exclamar os passos.
Que não ousava dar.
Cansou e descansou os quereres, enrolando o corpo, já sem firmes propósitos, como se desesqueletizasse a vida.
Só um suspirar de ausências povoava as tardes, embaçando a noite. Carecia de lacrialmejar estrelas para alcançar visão.
Por hora, fechava os olhos para se enxergar por dentro.
A noite transpirava exausta de arrastar demasiadas esperas. O céu chorava calores sublimados.
Na pele da manhã orvalhava serenos. À luz do novo dia, ela soluçava agudos nascimentos.
Recém-nascida de si. Amamentava-se.
De tantos apetites que suscitavam as mudanças, começou a gofar vazios. Minusculou-se.
É, pois, toda ilha vista de verticais lonjuras. Ausentava-se.
Vagou o olhar no horizonte, e já percorria com os dedos sua vasta linha, apagando ilusionosos traçados.
Desconhecedora de princípios. E fins. Nela, e para ela, uma coisa gesta a outra. Infinitamente.
Havia graça na maré debochosa, arremeçando na praia antigas-idades e sonhos.
Tudo está insuficientemente enterrado, não importavam tempos e profundidades.
Sofria de paz quando olhava em seus próprios olhos.
Em tudo, ponte para o agora.
Antes e depois, descabia.
É, no agora, uma porção de perguntas cercada de um mar de silêncios. Ilhava-se.
Quis ser inteira em tudo. No mar, diluía-se.
Pôde enfim, ser silêncio de búzios. Sua voz diz de proximidades.
E o mar, tomando-a em si, suscitava reflexões azuis.
Mas seu corpo acariciado de ventos, quis se misturar à areia. Ampulhetava-se.
Só o toque guardado nas mãos dele, faria o tempo parar e disparar e-ternidades.
No gesto que ele ainda não ousou, cabia todas as respostas. E inimaginava como, por ser gesto tão pequeno.
Aceitava os mistérios. Não era mais a criança agostiniana. Não queria fazer o mar caber num buraquinho de areia, carregando-o em balde.
Ela se misturava à areia, queria se igualar à terra, só os solos poderiam guardar a distância dos passos...
Que ela já não sabia se ele desejaria dar.

: -
Cecília Braga

12 comentários:

Lopes Castro disse...

de longe seu mais lindo texto!!!

parabéns, vc merece toda e-ternidade que couber nos teus dias ampulhetado num infinito talento.

e todo o mar acalmará sua paz em teus pés, no ir vir do carinho que suas letras fazem com nosso espírito.

beijos menina linda.

renata. disse...

-
quando meu céu fica empoeirado de estrelas, eu sopro e vejo um monte de esperança.

=))

milena pp disse...

amiga... uma palavrinha só:

linnndooo!!!


tava esperando um novo txto e grata surpresa trouxe essa espera.


amo tú
:**

Juliana disse...

Lembrou-me uma volta. Ao início de tudo. Ao útero. Início à vida.
Como sempre, lindo.
Adoro muito!
Saudosa de tuas palavras para acalentar o coração.

Beijos.

luciano disse...

Se puder, dê uma passadinha no meu blog. E se gostar, nunca deixe de visitá-lo tá?
Atualizei meus textos.. Incertos textos..
Abraços

LUCIANO

PAPIROS DE ALEXANDRIA
http://papiros.zip.net

Rafael disse...

Já tava dando saudade dos seus textos. =D
Muito bom. Saciou (por hora) essa vontade de te ler.

beijo.

Duda disse...

bom... tou passando pela perda que tu jah passaste.

O hiatus repentino do meu blog é, em parte, por essa perda e pelo tempo inquietante que lhe é consequente.

O outro motivo do meu sumiço é que tou mergulhando no trabalho pra não ficar pensando muito na morte dela. Quando foi meu avô, eu quase pirei... e não tou a fim de repetir a dose.

sobra pouco tempo pra internet.

Te adoro muito... beijo

Briza disse...

rapaz...

Pri disse...

Uau

alex pinheiro disse...

Olá Cecília Braga, vc e seus búzios, rs,,, tenho satisfação em aprender com sua escrita descritiva e de profunda alma... grato pelos seus textos...

Bjs e sublimes invenções!

Lobo... disse...

Lindo... você continua maravilhosa.

Duda disse...

(acentos desativados)
Quando as perguntas ecoam em mar de silencio, os gestos continuam sem serem ousados.

E enquanto os gestos nao se ousam, duvido que a apulhetagem cesse...

saudade!