
Tem gente que se esticaaaaaaaaaa, se dilata inteira no calor do sentimento. Para atingir o tom: afina.
Na urdidura os fios tensos e paralelos, dispostos no tear. Esperando o perpassar trans-versal dos fios da trama. Maleáveis. Tramar é escolher. Tecer a vida.
Penso em quem se estica até os limites da resistência. E já nem sei se é força ou fraqueza. Até onde vai a minha força sem que minha fraqueza venha.... a partir? ou partir? Um pergunta me diz de sua nacionalidade e a outra de sua missão. Sim, missão! Porque há algo de sagrado no romper. E tudo que é sagrado tem força. E já nem sei se a força só existe na negação da fraqueza ou na sua aceitação. É, eu sei... Nem sempre uma coisa exclui a outra.
Tudo isso porque eu já não sei se é sinal de força ou de fraqueza quem sabe dar as mãos mas não sabe entrelaçar as linhas da vida... E continua segurando a mão mesmo quando já não caminham mais de mãos dadas. Explico de novo....
Ím-par.
Ele nada disse. Mas sempre deu a entender....E foi tanta conversa antecedendo o ato... Quando ele segurou em suas mãos, olhou em seus olhos e beijou seus lábios...Ela acreditou no que ele dizia, assim sem nada dizer. E pela intensidade do que ela sentia as coisas tinham outro nome. E bem sabia que o nome dava o significado.
E agora só havia esse silêncio....cheio de palavras vazias. Coisa de quem seguiu o seu próprio caminho e tem medo. E quer manter aquela mão ali...disponível. Mas hoje ela pensa que esse medo é todo dela. Advinhar o nome que cada um dá as coisas é charlatanismo. E essa espera pela palavra salvadora é cinza e fria. Corta. Ela tem medo de perguntar:
- Como você me chama?!
- E se me chama...porque não consigo escutar?!
Ele continua dando a entender coisas que ela não entende. Ela gostaria de ter certeza se a certeza não tivesse nenhuma dúvida.
Confusão é tudo que resta quando tentamos manter todas as possibilidades...sem escolher uma. É que ele tem tanto a fazer....coisas dele sabe, antes de qualquer escolha. No fundo ela sabe que ele na sua não-escolha, já escolheu. Mas é tão fundo e tão escuro que ela ainda não consegue ver. É noite, sabe.
Penso no padroeiro dos cozinheiros... Será que ela é devota de São Lourenço e pensa em viver o exemplo de sua santidade e martírio?! E vai se deixar martirizar assim por essa falta de amor próprio que queima e arde até que possa dizer como São Lourenço: - Vire-me, que já estou bem assado desse lado!
Ah, São Lourenço..... Valei-me que não!!!!
É que o apetite do Amor tem sua urgência e pede a carne crua.
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Cecília Braga
(Sobre o que você me pediu para escrever...mas é tudo tão teu, que não sei se soube traduzir).